RCC Tocantins
19/01/2010 - 15h22m

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos: rezar em primeiro lugar

 

“Durante esta Semana, convida-se em primeiro lugar a rezar”: relembrando este fundamento fácil de ser esquecido, o dominicano Kranck Lemaitre, diretor de serviço para a unidade dos cristãos da Conferência de Bispos da França, copresidente do comitê misto anglicano-católico na França, apresenta aos leitores da ZENIT o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2010, tendo em vista os novos elementos trazidos em 2009 por Bento XVI ao fazer avançar o ecumenismo.

–A que país se pediu, neste ano, a preparação da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos?

–Franck Lemaître: O Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos e o Conselho Ecumênico das Igrejas confiou a preparação da Semana 2010 às Igrejas da Escócia.

De fato, neste ano é celebrado o centenário da Conferência missionária de Edimburgo, que constituiu um giro importante nos inícios do movimento ecumênico.

No início do século XX, os missionários notaram a extensão da tragédia que representava a divisão dos cristãos.

Sentiram-se interpelados pela distância entre a mensagem de amor que desejavam anunciar e a separação dos discípulos de Cristo, que viviam em Igrejas separadas, indiferentes uns aos outros e às vezes inclusive competindo entre si.

Em 1910, os delegados de sociedades missionárias anglicanas e protestantes se reuniram na capital escocesa a fim de unirem esforços. Eles perceberam mais claramente a exigência da unidade que requer a missão.

–Qual é o tema desta Semana de Oração?

–Franck Lemaître: As Igrejas da Escócia escolheram como tema: “Vós sois testemunhas de todas estas coisas”, e nos é proposto meditar durante esta semana todo o capítulo 24 do evangelho de Lucas.

As primeiras testemunhas da ressurreição foram as mulheres assustadas junto à tumba, os dois discípulos desanimados no caminho a Emaús, ou também os onze apóstolos de temor e dúvidas.

E, contudo, todos são enviados em missão. Do quem serão testemunhas? De que a ressurreição simboliza uma vitória irreversível sobre o mal e sobre o ódio; de que são convidados a viver em comunhão como irmãos e irmãs em Jesus Cristo.

–Em seu último livro, o cardeal Kasper lembra que “Deus diz sim” e sugere que se pergunte “O que devo fazer?”. Este é com freqüência o questionamento que surge: que devo fazer durante esta Semana para contribuir com o meu grão de areia na unidade dos cristãos?

–Franck Lemaître: A Semana que vai do dia 18 ao dia 25 de janeiro está consagrada em primeiro lugar à oração pela unidade de todos os cristãos.

Às vezes lamento que esta tenha se tornado, em resumo, na “Semana da Unidade”, na qual se concentram todas as atividades ecumênicas do ano.

As conferências, as ações caritativas comuns podem-se organizar durante o ano todo; durante esta Semana, deve-se primeiramente orar.

Cada um pode, então, aprender sobre as celebrações organizadas durante esta Semana em sua cidade ou em sua região e compartilhar uma vigília de oração junto aos nossos irmãos anglicanos armênios, ortodoxos e protestantes para pedir, juntos a Cristo, que a unidade chegue a todos seus discípulos, de acordo com a sua vontade e através dos meios que deseja.

Às pessoas mais velhas ou doentes que não podem se deslocar, proponho que levem a sua oração pessoal a todos os que trabalham na construção do ecumenismo.

De acordo com a intuição do abade Paul Couturier, o “inventor” da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos tal como conhecemos atualmente, todos os que rezam pela unidade, mesmo que de maneira isolada, formam um grande “monastério invisível”.

–No outono do ano passado, Roma publicou um texto que permite a união dos anglicanos à Igreja Católica sob um novo estatuto. Você diria que este é um obstáculo ou um estímulo para o diálogo ecumênico?

–Franck Lemaître: Os anglicanos que se opõem a certas opções atuais de suas dioceses pediram a acolhida na Igreja Católica.

A Constituição apostólica publicada em novembro do ano passado lhes oferece um marco específico que lhes permite conservar “as tradições litúrgicas, espirituais e pastorais da Comunhão anglicana”.

Católicos e anglicanos mantêm um diálogo desde o Vaticano II e este patrimônio específico anglicano pode atualmente ser reconhecido por Roma como “um dom precioso” e “um tesouro a ser compartilhado”.

Está claro que apenas uma pequena minoria de anglicanos pediu para entrar na Igreja Católica.

Com o restante anglicano, as relações fraternas e oficiais continuarão e, com a visita do arcebispo Rowan Williams a Bento XVI em novembro, foi lançada a terceira fase do diálogo teológico entre as nossas duas famílias eclesiais.

–Depois de quase cinco anos de pontificado, espera que a unidade visível dos cristãos continue uma prioridade para o Papa Bento XVI?

–Franck Lemaître: Marcou-me a carta pessoal que Bento XVI enviou aos bispos da Igreja Católica em março de 2009, após o levantamento da excomunhão de quatro bispos lefebvrianos, e a polêmica que suscitou.

O Papa expressou um verdadeiro temor: “em muitos lugares a fé corre o risco de ser apagada como uma chama que já não encontra seu alimento”.

Também disse qual é a sua prioridade: tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Ele.

De fato, quando Deus desaparece do horizonte dos homens, “a humanidade vê-se afetada pela faltaa de orientação, cujos efeitos destrutivos se tornam cada vez mais evidentes”.

A prioridade “suprema e fundamental” da Igreja e, portanto, a que Bento XVI dedica seu pontificado, é conduzir a humanidade a Deus.

E o Papa acrescenta: “Disso se segue como uma consequência lógica, que devemos ter muito presente a unidade dos crentes”.

A discórdia entre os cristãos, suas oposições põem de fato em dúvida a credibilidade daqueles que se dizem de Deus.

Todas as reconciliações, pequenas ou grandes, vividas pelos cristãos atualmente, formam parte desta prioridade dada à missão; estão realmente muito presentes no tema desta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

 

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Fonte: Zenit

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