RCC Tocantins
25/06/2007 - 14h38m

Rio é cidade brasileira com o maior número de refugiados

 
Cerca de 3,4 mil refugiados de 69 nacionalidades vivem hoje no Brasil. Aproximadamente 78% são africanos, a grande maioria vinda de Angola no final da década de 80, por causa da guerra. Nos últimos dois anos, no entanto, o maior fluxo de pedidos de refúgio ao Brasil é de colombianos: cerca de 450 já foram recebidos formalmente em solo brasileiro, mas outros cerca de 10 mil cruzaram as fronteiras ilegalmente e hoje vivem na Amazônia, sem o reconhecimento da condição de refugiados.

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), o Rio de Janeiro é a cidade brasileira com maior número de refugiados – cerca de 1.800 pessoas, a maioria delas vindas de Angola.

Luís Varese, representante do Acnur no Brasil, disse que apesar de lembrar situações trágicas, o Dia Mundial do Refugiado, comemorado no dia 22, é de solidariedade. “O mais importante é lembrar que existem hoje no mundo 34 milhões de pessoas que não podem morar na sua casa, no seu bairro, na sua pátria, por causa das guerras, da discriminação, dos ódios religiosos, dos fundamentalismos, sejam econômicos ou religiosos. Mas existe a solidariedade dos povos, dos governos, organizada através da instituição do refúgio, que permite reconstruir vidas, para que essas pessoas encontrem um novo lar”, avaliou.

Segundo Cândido da Ponte Neto, diretor no Rio da Cáritas, entidade da Igreja Católica que coordena uma rede de apoio para inserção social dos refugiados, cerca de 80% deles já conseguiram uma boa integração na comunidade. “A grande maioria dos refugiados já vive com seus meios próprios, conseguiu trabalho, aprimoramento profissional e do ponto de vista da cidadania, mas um percentual menor tem muita dificuldade, principalmente aqueles que em seus países de origem não tiveram uma oportunidade de qualificação profissional”, disse.

Além da dificuldade de inserção no mercado de trabalho, ele citou os problemas emocionais e as marcas da violência enfrentadas no passado pelos refugiados como impedimento à adaptação deles no Brasil. Neto destacou a legislação brasileira que dá proteção a refugiados, considerada internacionalmente uma das mais “generosas” do mundo, e também a receptividade do povo brasileiro, como fatores que facilitam a integração das pessoas que chegam ao país.

Mônica Caruso, do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), vinculado ao Ministério da Justiça, lembrou que o governo federal assumiu o compromisso internacional de receber refugiados, inclusive porque também já os gerou, durante a ditadura militar: “É uma questão de solidariedade. Pessoas que eram perseguidas aqui e que foram buscar refúgio em outros países, e criar uma lei que outorga a efetiva proteção internacional (Lei nº 9.474 de 1997), nada mais é do que o fortalecimento da democracia no país, para que em gerações futuras isso não venha a ocorrer novamente”.

Ela informou ainda que a lei garante proteção internacional, o porte de uma carteira de identificação brasileira e trabalho legal no país, com direito a todos os serviços que são oferecidos normalmente aos cidadãos brasileiros, como educação e saúde.


Fonte: Agência Brasil

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