RCC Tocantins
21/02/2019 - 19h39m

O poder da bênção

RCC Brasil  

Os israelitas haviam saído do Egito rumo à Terra Prometida e não faziam ideia do que encontrariam pela frente, tudo era ainda uma incógnita para eles. Tinham a promessa da Terra Prometida, mas sequer sabiam como chegar lá. Então, o próprio Deus os ensinou como invocar a sua bênção, como colocar o seu nome sobre a vida das pessoas. Assim como os israelitas, nós também não sabemos o que o futuro vai nos reservar, nem sequer, pela manhã, sabemos como será o nosso dia. Podemos ter muitas surpresas agradáveis, mas podemos também ter que enfrentar grandes problemas e dificuldades que não estávamos esperando. Por isso, é tão importante invocarmos a cada dia sobre nós a bênção do Senhor.

Qual o significado da palavra “bênção”? No hebraico, a língua original do livro de Números, a palavra bênção significa submeter-se, honrar um superior, falar bem, exaltar, agradecer.

Bênção é também entendida como o poder espiritual que Deus concede a alguém para que alcance paz, seja protegido do mal, para que prospere, para que seja bem-sucedido naquilo que empreende.

Vemos, portanto, que há uma ação do homem –  submeter-se, falar bem, exaltar, etc. e uma resposta de Deus – conceder a graça e a paz. A graça de Deus nos possibilita ser salvos; a paz que vem de Deus não é somente ausência de conflitos, mas também comida na mesa, saúde no corpo, trabalho nas mãos, espaço para viver, felicidade nas relações.

Assim sendo, quem quer ser abençoado precisa manter uma relação de submissão e obediência para com Deus de quem a bênção provém: deve obedecer a Palavra de Deus. A Sagrada Escritura diz: “Se obedeceres fielmente à voz do Senhor, teu Deus, praticando cuidadosamente todos os seus mandamentos...estas são as bênçãos que virão sobre ti, e te tocarão (cf. Dt 28, 1-2).  Ou seja: a bênção procede da obediência.

 Abençoar como ação do homem requer boas atitudes e colocar-se sob o Senhorio de Jesus. Devemos buscar ao Senhor, honrá-lo em nosso viver diário, colocar o seu Reino como prioridade, aí a sua face se voltará para nós e a sua bênção nos alcançará. Jesus disse: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt 6, 33). De que coisas estava falando? Falava de proteção para a vida, de alimento, de roupa para vestir, de ausência de preocupações exageradas.

Abençoar como ação do homem, contudo, vai além da obediência e submissão a Deus, requer também ação de graças. É Jesus quem nos ensina isso na passagem da multiplicação dos pães. Jesus estava num lugar onde não havia comida e tinha diante de si uma multidão de pessoas com fome. Alguém lhe trouxe apenas cinco pães e dois peixes, e a Bíblia diz que Jesus “elevando os olhos ao céu, abençoou-os. Partindo em seguida os pães, deu-os aos discípulos, que os distribuíram ao povo. Todos comeram e se fartaram…” (cf.  Mt 14, 19).

Jesus abençoou, pela ação de graças, o pouco que tinha. Muitas vezes nós, quando pensamos que vai nos faltar alguma coisa, murmuramos, maldizendo assim o pouco que possuímos.

Anos atrás, lendo esta passagem da multiplicação dos pães, aprendi com Jesus a dar graças pelo que tenho, abençoando. Sempre que recebo o pagamento pelo meu trabalho, eu agradeço a Deus, do fundo do meu coração, separo o dízimo, em obediência à sua Palavra, e o louvo e bendigo porque Ele é poderoso para cumular-nos com toda a espécie de benefícios, para que, tendo sempre e em tudo o necessário, nos sobre ainda muito para as boas obras (cf. 2 Cor 9, 8). Desde que comecei a fazer isso, a providência de Deus tem se manifestado de forma surpreendente na minha vida.

Isso vale também para a área dos relacionamentos. Vamos supor que um casal esteja enfrentando dificuldades. Eles devem examinar seus corações para ver se ainda existe um pouco de amor, de respeito, de carinho, de paciência, de esperança. Se houver, devem agradecer a Deus por este pouco, colocar o sentimento que restou sob o olhar de Deus, para que seja abençoado e o Senhor vai multiplicar a paciência, o amor, o respeito, o carinho. Este princípio de abençoar pela obediência à Palavra e pela ação de graças se aplica a todas as áreas da nossa vida.

Abençoar como ação do homem envolve ainda dizer coisas boas, exaltar, elogiar. Queremos que a vida dos nossos filhos, dos nossos familiares em geral, dos nossos amigos seja abençoada? Ao invés de reclamar, de criticar, experimentemos falar bem, elogiar, ressaltar as qualidades e não os defeitos. Seremos surpreendidos pela ação transformadora de nossas palavras.  As palavras moldam a realidade para o bem e para o mal. “ Uma palavra má transtorna o coração; dela vem quatro coisas: o bem e o mal, a vida e a morte; sobre estas quem domina de contínuo é a língua” (Eclo 37, 21). Conforme essa passagem, das nossas palavras pode proceder uma bênção ou uma maldição, pode proceder vida ou morte. Maldizer é falar mal, é falar uma linguagem oposta à de Deus. Da boca de Deus só procede o amor. Quantas vezes “matamos”, por assim dizer, a esperança, a confiança, a alegria das pessoas que deveríamos encorajar, fortalecer, colocar sob o olhar de Deus para que sejam abençoadas.

Os efeitos de uma palavra má, principalmente contra aqueles sobre os quais somos constituídos em autoridade, nossos filhos em especial,podem ser trágicos e duradouros, do ponto de vista espiritual e emocional. Se, ignorantes deste princípio, alguma vez falamos mal ou desejamos mal a alguém, podemos pedir perdão a Deus e reverter estas palavras, proclamando uma passagem bíblica de bênção sobre a vida dessa pessoa. Podemos, por exemplo, invocar a bênção de Deus sobre ela dizendo:O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor te mostre a sua face e conceda-te sua graça! O Senhor volva o seu rosto para ti e te dê a paz! (Nm6, 24-26). A Palavra de Deus é forte e poderosa, ela cria realidades na nossa vida e pode reverter maldições.

Maria Beatriz Spier Vargas - Coordenadora Nacional do Ministério de Pregação

Grupo de Oração Magnificat – Caxias do Sul- RS

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