RCC Tocantins
26/04/2007 - 14h57m

Cristãos em Hollywood

 
Entrevista ao professor Armando Fumagalli

O que os cristãos fazem em Hollywood? É o que explica um livro com testemunhos e reflexões provenientes da «capital» do cinema.

Publicado primeiro em inglês e agora em italiano, «Cristiani a Hollywood», de Spencer Lewerenz e Bárbara Nicolosi (Edizioni Ares), mostra como se vive a fé no competitivo e duro mundo do cinema.

Zenit entrevistou Armando Fumagalli -- responsável da edição italiana do volume --, para quem «o cristão, como qualquer outro profissional, deve ter a humildade e a paciência de aprender dos melhores» e buscar os níveis de excelência que superem a «boa vontade», também no cinema.

--O que os cristãos fazem em Hollywood? Contribuem para melhorar os níveis cinematográficos?

--Fumagalli: Eu diria que antes de perguntar-se se contribuem para melhorar os níveis, deve-se dizer que atualmente os cristãos praticantes e convencidos em primeiro lugar são poucos.

Falamos de Hollywood porque os produtos que nascem lá vão a todo o mundo. Mas a presença de cristãos no cinema europeu é ainda mais escassa que em Hollywood.

Logo, como sempre, entre os cristãos estão aqueles mais ou menos capazes, mais ou menos preparados, etc. Mas a questão interessante é, por uma parte, como é que nas últimas décadas houve tão poucos?

E ainda mais interessante, como Bárbara Nicolosi fez, é tentar fazer que pessoas de fé se preparem seriamente, com níveis profissionais muito altos, para poder trabalhar neste ambiente tão competitivo e exigente, para levar uma voz a mais ao diálogo entre as diversas culturas e as diferentes visões do mundo que existem no cinema e na televisão.

Não basta ter boas intenções; é preciso ser excelentes profissionais. Também para mim, como para Bárbara Nicolosi, acontece com certa freqüência ler obras para o cinema escritas com as melhores intenções, mas com um nível profissional ainda muito baixo.

Os cristãos, como qualquer outro profissional, devem ter a humildade e a paciência de aprender dos melhores.

--Há muita diferença na indústria do cinema entre os católicos e os cristãos de outras denominações?

--Fumagalli: Um dos aspectos que me impressionou mais, quando li o livro na versão americana, é o sentido de espontânea unidade entre os cristãos de diversas denominações e confissões que trabalham na indústria cinematográfica.

Frente a um mundo distante a Deus, ao qual se pretende devolver uma dimensão espiritual e uma esperança ultraterrena, as diferenças de confissão cristã desaparecem naturalmente. O livro me pareceu imediatamente também um belíssimo exemplo de ecumenismo «vivido».

Mas devo dizer também que -- nos ensaios dos autores protestantes -- se adverte a falta de referências doutrinais seguras sobre algumas questões éticas importantes: não têm um magistério oficial, ou ao menos não o têm com uma clareza como a dos católicos.

Senti uma grande compaixão por pessoas que tão seriamente e com tão grande motivação querem fazer o bem. E mais uma vez voltei a considerar o grande tesouro que nós, católicos, temos na guia do Magistério.

--Por que os Estados Unidos, país «profundamente religioso», como você diz no livro, nos oferece tantos filmes de sangue e violência?

--Fumagalli: Em parte é uma questão que depende de sua cultura. Trata-se de um país civilizado há poucos séculos, e durante muitas décadas de sua história foi uma espécie de terra de ninguém, na qual a lei do mais forte era com freqüência a que prevalecia.

Não devemos deixar-nos fascinar pela imagem idílica com freqüência transmitida também pelo cinema. Nos anos 60, em alguns Estados da União, ainda se toleravam os linchamentos de negros, por exemplo.

A fé cristã (mas também o cinema, estou certo) foi e será um elemento de educação e de transformação para com uma sociedade menos violenta.

Esta cultura rude em parte se refletia ainda hoje no cinema americano, que tolera mais a violência que o cinema europeu.

Mas não se deve esquecer que, enquanto com freqüência o cinema europeu é de raiz niilista e atéia, no cinema americano restam ainda -- ao menos em alguns filmes cada ano -- de forma significativa, flashes de espiritualidade, e com muita freqüência -- ao menos desde o ponto de vista humano -- as soluções que se dão aos dilemas das personagens estão arraigadas em uma antropologia equilibrada e humanista, que conserva fortes elementos de suas raízes judeu-cristãs.

Penso não só nos filmes de inspiração inclusive indiretamente religiosa, como «O senhor dos anéis» ou «As crônicas de Nárnia», mas também em filmes como «O show de Truman», «Mensagem para você», «Homem de família», «Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo», «Hitch - Conselheiro Amoroso», «Luta pela esperança», «A intérprete» e muito mais.

Por citar exemplo, que é muito querido: todos os filmes de «Pixar» («Toy Story», «Nemo», «Os incríveis», «Carros», etc) são casos muito interessantes de filmes de enorme êxito e com conteúdos humanos excelentes.

--Por que acusamos Hollywood de ser responsável por nossos males cotidianos?

--Fumagalli: Por um lado, porque é verdade que o cinema e os seriados de televisão, que são os produtos audiovisuais mais difundidos em todo o mundo, têm muita importância para apresentar e difundir modelos de vida; por outro, contudo, não podemos esquecer que é responsabilidade de todos conseguir que este ambiente profissional que tem tão ampla ressonância em todo o mundo seja objeto da oração e também do empenho trabalhista direto, de homens e mulheres que se preocupem pela pessoa e por seu destino eterno.

Assim, não basta culpar Hollywood por nossos males: cada um deve se perguntar se pode fazer algo para melhorar a situação.

Fonte: ZENIT

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