RCC Tocantins
26/10/2007 - 17h06m

«Comunicação» no Documento de Aparecida

 

Para o Pe. Justo Ariel Beramendi, oficial em língua espanhola do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, o documento final de Aparecida «convida a ser lido em chave de comunicação».

O sacerdote analisou este aspecto no texto resultante da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe (CELAM, www.celam.info), celebrada em Aparecida (Brasil), em maio, com a presença de Bento XVI.

«Onde encontremos as palavras ‘missão’, ‘comunhão’, ‘evangelização’, ‘testemunho’ ou ‘discipulado’, nós a entenderemos como a ação de comunicar Cristo e sua mensagem», especifica o presbítero boliviano, especialista em comunicação.

«A reflexão em Aparecida parte do próprio fato de que a sociedade da informação na qual nos encontramos é produto do ‘ecossistema comunicativo’ criado pelas novas tecnologias de comunicação, onde estes instrumentos invadem tudo, e em não poucas ocasiões – adverte – podem ameaçar a privacidade dos cidadãos.»

Assim expôs no III Congresso Latino-Americano e Caribenho de Comunicação, «Comunicação, cidadania e valores», que se celebrou em Loja (Equador), de 15 a 19 de outubro.

«No âmbito interpessoal, afirma-se que os novos espaços de comunicação são uma oportunidade para reforçar e estimular o intercâmbio de experiências e de informações que intensifiquem a prática religiosa através de acompanhamentos e orientações entre a comunidade», expôs Beramendi.

«Os bispos do Continente Latino-Americano e do Caribe vêem como um sinal de esperança o grande número de meios de comunicação que a Igreja tem e com os quais pode incidir na cultura», reconhece o documento.

Também há aspectos negativos – observa o Pe. Beramendi: «Os bispos, desde Aparecida, denunciam que os grandes meios de comunicação estão criando uma cultura onde a ciência e a tecnologia só servem o mercado com os «únicos critérios da eficácia, rentabilidade e funcionalidade», marginalizando a dignidade da pessoa humana.

«Valoriza muito o papel do laicato quando fala da atividade evangelizadora laical e da incidência dos leigos na cultura atual – formada e tantas vezes deformada pelos meios de comunicação; é precisamente neste espaço onde os batizados estão chamados a comunicar Cristo», afirma.

Segundo o sacerdote, oficial do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, «os bispos se comprometem publicamente a trilhar um caminho junto aos comunicadores, acompanhando e animando as iniciativas neste campo, o que implica uma considerável mudança de mentalidade».

No texto, a internet é assumida com «realismo e confiança» e se reconhece que «o espaço digital ocasiona novas formas de exclusão, pelo que se faz um chamado às paróquias, comunidades, centros e instituições católicas a criar espaços de formação e acesso à internet para entrar em contato com a cultura da mídia».

«Aparecida mostra sua preocupação pelo papel dos católicos na vida pública e a incidência da própria Igreja na opinião pública da sociedade, convidando os agentes de pastoral, em particular os ministros de culto, a ser ‘líderes de opinião’, o que exige uma formação permanente em temas de conjuntura para a Igreja e para a sociedade», concluiu em Loja o Pe. Beramendi.

Fonte: Zenit.org

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