RCC Tocantins
06/07/2007 - 00h00m

A carta aos Hebreus

 

A autoria desta carta dirigida a judeus-cristãos é muito discutida.

Segundo Renié “o autor é um discípulo de Paulo que escreveu sob a direção do apóstolo. Deste modo se explica melhor a tradição que atribui a epístola a São Paulo, o fundo paulino da doutrina e também as peculiaridades do estilo que supõem uma pena diferente da do apóstolo. Esta solução tem a vantagem de ter em conta todos os dados do problema. Ela foi adotada pela maior parte dos exegetas católicos”.

Orígenes asseverou que “os pensamentos são do apóstolo, mas a frase e a composição são de outrem que recordou os ensinamentos dele e quer quase comentar as coisas ditas pelo mestre”.

Ballarini mostra que “a Comissão Bíblica, na resposta de 24 de junho de 1914, por um lado coloca hebreus entre as “genuínas” cartas de Paulo, mas por outro, não fecha o caminho para uma solução que limite a paternidade paulina do escrito. A medida desta limitação faz-se entre os autores mais recentes também católicos, com notável liberdade, tanto assim que o “redator” deveria dizer-se um autor de inspiração paulina: alguém do círculo de Paulo”.

Segundo Mackenzie, “Os críticos modernos acham que a dependência de Paulo não era somente indireta; o escritor conhecia o pensamento de Paulo, mas a epístola não foi nem escrita, nem autografada por Paulo. Hebreus é uma obra pessoal do autor”.

A data mais provável desta carta é entre 62 e 70 e muitos biblistas dizem ter sido ela escrita em Roma. Seja como for, o principal é que este escrito neo-testamentário é um verdadeiro tratado de teologia. Apresenta um repensar profundo do Antigo Testamento.


Cristo, o sumo e eterno sacerdote, é visto como o mediador, o Pontífice que uniu de novo o homem e Deus através do sacrifício do Calvário. Na introdução (1 e 2) fica clara a superioridade da Nova Aliança, obra de Cristo. Em torno dele gira o conteúdo de toda a carta. Jesus é o Pontífice fiel (3,1-4,13) e sumamente misericordioso (4,14-5,10). Este excerto sintetiza bem esta primeira parte: “Tendo nós, pois, um grande pontífice, que penetrou os céus, Jesus, Filho de Deus, sejamos firmes na profissão de nossa fé. Por que não temos um pontífice que não possa compadecer-se de nossas enfermidades, mas que foi tentado em tudo à nossa semelhança, exceto no pecado. Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia, e de encontrar graça para sermos socorridos no tempo oportuno” (4,14-16).

Em seguida (5,11-10,39) o autor mostra ser difícil falar no sacerdócio de Cristo, exalta a excelência deste sacerdócio, de seu sacrifício. Conclui esta parte com uma exortação à confiança e à unidade, comina os apóstatas e concita a que se conserve a antiga constância no meio das perseguições. Eis a frase final, prenhe de significado: “Nós, porém, não somos daqueles que se afastam (da fé) para sua perdição, mas daqueles que guardam a fé para salvar a sua aliança” (10,39). Passa então a falar da fé (11 e 12) e os exemplos da história primitiva narrada do Antigo Testamento devem ser um incentivo poderoso para os cristãos por entre as dificuldades presentes.

A conclusão (13) apresenta outras virtudes a praticar e além de outras exortações registra as saudações finais. Deste epílogo este trecho: “Seja por todos honrado o matrimônio e o leito conjugal sem mácula. Por que Deus julgará os fornicadores e os adúlteros. Sejam os vossos costumes isentos de avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele mesmo disse: Não te deixarei, nem te abandonarei” (13,4-5).

Para melhor se conhecer Cristo e se animar a perseverar na fé a leitura da carta aos Hebreus é obrigatória, plenificando o coração de fé e amor a Jesus Salvador, o grande Pontífice da humanidade.

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

Professor no Seminário de Mariana -MG


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